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13/07/2019 |

Bandas de rock do passado seguem no topo das pesquisas do Google

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A poesia de Renato Russo segue viva. Os vocais potentes de Freddie Mercury também. Há amor pelos Beatles e o Pink Floyd continua no coração dos fãs de rock. Pelo menos é isso que dizem os dados do Google, que mostram que artistas e bandas antigos se mantêm no topo das pesquisas do buscador. No Dia Mundial do Rock os dinossauros seguem imbatíveis como as maiores referências do gênero no Brasil.

O Google fez uma série de análises para verificar o interesse dos brasileiros pelo gênero mais barulhento da música. A conclusão é que quanto mais antiga a banda de rock, melhor. Artistas já mortos ou que não lançam nada há anos continuam somando fãs, principalmente a Legião Urbana, que tinha em Renato Russo um porta-voz de uma geração.

Afinal, a Legião nunca esteve tão atual quanto em 2019. “Talvez não tenham musica mais simbólica que “Que País é Esse”, comenta Marcelo Costa, editor do site Scream & Yell. No entanto, ele lamenta a falta de novos artistas e frisa que os nomes mais buscados são todos da década passada. “Demonstra o quanto a gente se desconectou do rock”, acredita.

Não que o movimento não tenha representantes nos dias de hoje. Tim Bernardes, junto com O terno, pode facilmente ocupar o posto de Renato, mas Marcelo acredita que as novas ferramentas e tecnologias para consumo de música afetam esse resultado: “Acho que é reflexo do mundo em que vivemos. O público novo consome muita coisa no randômico e vai pulando”, explica. Essa falta de foco, consequência da imensa quantidade de oferta, faz com que os jovens não tenham mais fidelidade aos artistas como antigamente.

Dinossauros

A expressão “dinossauros” é comumente usada para bandas do passado justamente pela questão temporal, mas há uma outra maneira de ver: muitos dos ídolos ainda pesquisados e admirados já se foram.

Ao todo, somente oito artistas ou bandas, quatro nacionais e quatro internacionais, ocupam as três primeiras posições da pesquisa em todos os 26 estados, além do Distrito Federal. Entre eles, apenas Coldplay, Nando Reis e Lulu Santos seguem na ativa. Beatles e Pink Floyd têm membros que seguem se apresentando, inclusive com shows no Brasil, como Paul McCartney e Roger Waters, mas não existem mais como banda. A lista inclui ainda Elvis Presley e Raul Seixas, já mortos, e Legião Urbana, cujo vocalista e principal compositor Renato Russo também já morreu.

Curiosamente, outro “dinossauro” não está na lista, a banda Rolling Stones. “O azar dos Stones é que eles não acabaram”, brinca Marcelo sobre o grupo que segue na ativa, lançado discos e fazendo turnês pelo mundo. Para ele, a nostalgia é parte importante do resultado, cheio de velharias.

Entre os nomes do século passado, porém, um reina absoluto: Queen. A banda, que ganhou um filme em 2018 sobre sua história, teve que ser excluída dos resultados do último ano, justamente porque “Bohemian Rhapsody” influenciou as pesquisas.

É do Brasil

Em geral, as bandas e artistas brasileiros estão em alta. Tirando parte da região Sul, São Paulo e o Distrito Federal, todos os outros estados têm brasileiros em primeiro na lista, seja Lulu Santos no Rio de Janeiro e Pernambuco, ou o Legião, líder de buscas em 13 estados, até Raul Seixas dominando outros oito. Curiosamente, a banda de Renato Russo aparece em alguma posição ao redor do Brasil, menos na região Sul e em São Paulo.

No nordeste, diversos estados privilegiaram apenas nomes nacionais e Maranhão, Piauí, Ceará Bahia e Alagoas só têm artistas brasileiros no ranking, inclusive Nando Reis, que aparece no Piauí e Ceará.

Os Beatles, surpreendentemente, quase não lideram na lista. Eles surgem em primeiro apenas no Rio Grande do Sul, enquanto Pink Floyd é o favorito nas pesquisas do Distrito Federal. Elvis Presley é o outro nome internacional a ocupar o primeiro lugar em apenas dois estados: São Paulo e Paraná.

Rock adormecido

Todo ano, por volta do Dia Mundial do Rock, o debate sobre se o gênero acabou retorna. De fato, o estilo não é mais o mesmo, mas isso não significa decadência, mas sim transformação e estabilidade, ao mesmo tempo.

Transformação, pois o rock hoje, principalmente o nacional, agrega outros elementos e estilos musicais. É assim, por exemplo, com o BaianaSystem, um dos principais nomes a surgir nos últimos anos. Por outro lado, enquanto passa por rompantes a cada geração, o rock se estabelece como ritmo celebrado, assim como aconteceu com o jazz. “Sempre vai haver rock. De tempos em tempos vai surgir uma banda que vai representar aquele momento e trazer consigo outras bandas”, explica Marcelo.

Ele exemplifica com o Strokes, símbolo no “novo rock” no começo dos anos 2000, e que marcou uma geração ao lado de Interpol e The Killers, entre outros. “O rock passa bem”, conclui o especialista em música.

Se Renato Russo tinha sede de falar sobre um país em reconstrução, Russo Passapusso fala com maestria (e ginga) do Brasil de hoje. Se a banda, e suas contemporâneas do rock entrarão nessa lista nos próximos anos só o tempo dirá, mas talento para perpetuar a palavra dos que vieram antes não falta.

Fonte: IG

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