ARTIGO

08/08/2014

Salvador Fernandes - No tenha medo do Golbery. Tenha medo do policial da esquina.

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"NÃO HÁ JORNALISTAS SEM OPINIÃO. A QUESTÃO É SE VOCÊ AS EXPÕE OU FINGE QUE NÃO AS TEM E ENGANA SEUS LEITORES". (GLENN GREENWALD JORNALISTA AMERICANO)

Uma das principais orientações do jornalismo é a cidadania; deve servir como uma espécie de monitor independente tanto de indivíduos quanto de instituições poderosas da sociedade. Os jornalistas são obrigados a dizer a verdade fornecendo a essência do jornalismo que é dar aos cidadãos informações confiáveis através da disciplina da verificação, da imparcialidade, justiça e responsabilidade pública. Ser responsável para com as pessoas e com a coletividade, na orientação de uma comunidade a se autogovernar.

Mas, nos dias de hoje existem várias formas diferentes de jornalismo e em sua esmagadora maioria muito distante disso tudo e do papel de servir como um quarto poder fiscalizando, por exemplo, o funcionamento dos governos seja em qualquer esfera de poder.

Isso tudo me faz lembrar a figura do jornalista e escritor Salvador Fernandes, personalidade da imprensa local um nome por demais incomum do jornalismo ourinhense num passado não tão distante. Editou por mais de duas décadas o Diário da Sorocabana, o mais importante jornal da história da cidade, foi um profissional de extrema lealdade para com os mandamentos do jornalismo.

Começou no jornalismo estudantil, foi foca nos jornais cariocas O Dia e Ultima Hora (o único jornal do Rio que não aderiu a ditadura). Nos anos 50 foi para São Paulo onde foi assessor do ex-governador Abreu Sodré e trabalhou no jornal Folha de São Paulo como articulista político, em 1957 transferiu-se para Ourinhos para fundar seu próprio jornal. Do final dos anos 50 até 1974 o seu espírito contestador e elevada argúcia jornalística o fez mergulhar de cabeça na vida pública interferindo na política local.

Excepcional editorialista manteve independência editorial mesmo com pressões e mudanças que o jornalismo vinha (e continua) sofrendo ao longo dos anos. Com todas as dificuldades de se exercer a atividade de imprensa no interior o seu Diário da Sorocabana trazia a informação com uma forte carga opinativa, questionando atitudes apontando erros que poderiam interferir na vida da comunidade. Provocava reflexão, trazia a crítica centrada sob o aspecto do direito comunitário de acesso a informação para a análise do que é bom ou ruim para a população da cidade. O jornalista amealhou muitos desafetos no meio politico por conta do jornalismo que praticava incomodando os donos do poder não só local.

Durante os anos da ditadura Salvador Fernandes chegou a ser preso depois de escrever um editorial criticando a prisão do jornaleiro Chiquinho Ruiz que vendia em sua banca o jornal do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Chiquinho era um simples jornaleiro não tinha vínculos com a politica e muito menos com os comunistas. Mais tarde se soube que os agentes da ditadura estavam à caça dos esquerdistas ourinhenses e Chiquinho era quem poderia indicar nomes dos que se interessavam pelas publicações subversivas. Não delatou e por conta disso foi preso. Na edição seguinte do jornal, em editorial intitulado “Não tenha medo do Golbery. Tenha medo do policial da esquina”; Salvador Fernandes criticava a prisão do jornaleiro aludindo à figura do General Golbery do Couto e Silva (um dos pais do golpe militar de 1964). Acabou também detido o com sua residência e redação do Diário da Sorocabana invadidas pela policia que queimou livros, arquivos e documentos.

Esse era Salvador Fernandes uma estirpe de jornalista cada vez mais raro nos dias de hoje. Faleceu em 23 de março de 2001 com 74 anos dos quais pelo menos 60 foram dedicados ao jornalismo. Nesta ultima quarta feira (06/08) estaria completando 87.

OURINHOSNOTICIAS É COMPLETO, POR ISSO É LÍDER EM AUDIÊNCIA!!!

Autor: Jos Luiz Martins - Novo Negocio - Foto: Jornal Debate

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COMENTRIOS

  • 08/08/2014Maria Helena

    parabens pelo texto e por resgatar a memria desse jornalista corajoso.

  • 09/08/2014RENATO

    NOSSA QUE MATRIA INTERESSANTE....MAIS UM JORNALISTA VÍTIMA DA DITADURA....PARECE QUE TODOS QUE VIVERAM NESSA POCA FORAM PERSEGUIDOS.... ESTRANHO HEIM ????

  • 10/08/2014servidor

    O DURO QUE QUEM FALA A VERDADE SOFRE MAIS POLITICA BOSTA PEDIR TODOS SABEM AJUDAR NINGUEM .......

  • 11/08/2014BENJAMIN

    hoje esta pior que naqueles tempos com a ideia do politicamente correto a mordaa esta cada vez mais apertada nao se pode falar nada pois voce pode ser enquadrado e quem tiver a coragem de um SALVADOR FERNANDES tambem vai sentir o peso do poder PS meu tio comentava muito sobre o jornalista SALVADOR FERNANDES eu era criana mas me lembro de como as pessoas gostavam dele este artigo cumpriu a sua meta de nao deixar cair no esquecimento tao ilustre jornalista

  • 11/08/2014wander

    eu tive o prazer de trabalhar com esse guerreiro.

  • 27/08/2014Ourinhense

    Ótima frase, mas para esclarecer melhor no de autoria de Salvador Fernandes, que possivelmente esqueceu de parafrasear. de Pedro Aleixo, vice presidente de Costa e Silva, dita no dia 13 de dezembro de 1968, na assinatura do AI-5. "Presidente, o problema de uma lei assim no o senhor, nem os que com o senhor governam o Pas; o problema o guarda da esquina", disse o poltico mineiro.

  • 29/09/2014sebastiao carlos pires

    Conheci esta "" Fera "" no Jornalismo Ourinhense, era na poca menino jogvamos Futebol em frente a casa dele, nunca nos fomos incomodado por ele ou sua famlia, s nos resta a saudade, meus parabns pelo texto ....

  • 28/11/2014jose bassetto filho

    Como muitos, foi vitima da ignorncia, e ainda alguns querem a volta do militarismo(PMB) Partido militarista Brasileiro, entenderam?, um tremendo retrocesso

  • 10/01/2015Hernani Corra

    Lendo este artigo, relembrei o curto tempo em que trabalhamos juntos antes dele morrer. Fui, inclusive, testemunha em seu testamento deixado antes de fazer a cirurgia na qual no resistiu. Ele visitava a redao de extinto Tribuna da Cidade, hoje Novo e, a titulo de colaborao, dava seus palpites e me ajudou muito no pouco que sei hoje. Mas me ensinou o essencial e tinha "tiradas" que me marcaram. Por isso, at hoje, 14 anos depois, levo este Jornal independente e livre, talvez o nico veculo de comunicao na cidade com essa caracterstica de liberdade e sem nenhuma ligao com qualquer grupo poltico, entidade ou similar. "Jornalismo verdade nua e crua". o que levo no meu subconsciente, procurando no maquiar meus textos, doa a quem doer.

  • 01/01/2017

    Tive a honra de trabalhar com esse mito, foi o meu primeiro emprego com 10 anos de idade. Eu dobrava os jornais Dirio da Sorocabana e o Jornal do Sr. Eloy que se chamava Jornal da Divisa por volta de 1960 muitas saudades daqueles tempos. em tempo o jornal ficava ao lado da Marvi (sorvetes.) muitas saudades descanse em paz.

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